Nesta sistematização procuro recuperar com lentes reflexivas e críticas,tendo como base os limites e possibilidades encontradas, fazendo uma análise: O que poderia ser diferente? O que poderia ser mudado? Sempre pensando nos aspectos gerais e problematizando: Porque foi assim e não de outro modo?
Ao ler materiais produzidos por mim e pelos colegas quando o trabalho em grupo,me deparei com as tarefas que irão me ajudar a formular a sistematização.
Na construção do curso,um dos elementos que citei como fundamentais para minha formação foi a rede curricular,e ao olhar este texto pude refletir como foi importante percebermos as possibilidades oportunizadas. Nos tornamos mais reflexivos, críticos, sujeitos ativos na nossa formação e participantes.O curso visa torar-nos autores da nossa história, capazes de pensar e procurar meios de colocar na prática o que aprendemos.
É preciso compreender que a disseminação e a popularização das novas
tecnologias da informação e da comunicação permitem passar de um modelo
que privilegia a transmissão de conhecimentos e sua suposta assimilação para
um modelo pedagógico cujo funcionamento se baseia na aprendizagem
colaborativa, na abertura aos contextos sociais e culturais, à diversidade dos
alunos, aos seus conhecimentos, experimentações e interesses (Cf. Silva, 2002,
p.81).
Ao colocar em prática a pesquisa participante do entorno,o prato feito,onde escolhemos o milho como produto,a pesquisa selou com chave de ouro nossa aprendizagem. Mesmo tendo sido um desafio,encontramos como limites a distância, o pouco tempo para realizar tarefa tão grandiosa,mas extremamente importante para nossa formação. Fomos privilegiadas ao conhecer uma família maravilhosa, que com muita alegria nos recebeu e tornou possível o cumprimento da nossa pesquisa, o que pude perceber, que o que mais importa em uma pesquisa não é o produto,mas as pessoas, o que elas pensam, como se comunicam, quais suas prioridades, como se organizam e participam da sociedade. Onde o produto entra? Analisamos todas as relações que existem entre o plantio até os produtos e derivados chegarem a nossa mesa, o que envolve muitas pessoas,desde a família que entrevistamos, aos que ajudam a vender, os que compram,os que transformam o produto em subprodutos,os trabalhadores das fábricas etc. É uma vasta lista. Apesar de terem estudado pouco e com muitas dificuldades, sempre incentivaram o filho a estudar.Nos encharcamos da realidade deles!
Segundo Freire em Extensão e Comunicação, “A invasão cultural se dá no momento em que o sujeito se envolve no mundo e cria possibilidades a partir da sua criatividade.(...)”
Eu já não consigo me ver como educadora sem ter o conhecimento do entorno,sem valorizar os sujeitos envolvidos no processo educativo. Tudo contribui e é importante na vida e organização dos sujeitos. Assim como o açúcar,o milho que foi o produto escolhido está presente em todo processo da vida deles e faz parte do ciclo como no documentário Ilha das Flores.
A realidade como realidade humana se dá quando há sujeitos envolvidos,sendo a realidade concreta mais que os dados, é também sua percepção do mundo à sua volta.
A pesquisa será o que irá nortear nosso curso,pois através dela iremos conhecer os sujeitos, suas famílias, seu modo de vida e como se organizam e se percebem como sujeitos autores da própria história. Onde, através dessa vivência na pesquisa estaremos valorizando os sujeitos, faremos assim com que despertem, para a autoria de sua própria história. A pesquisa também tem como objetico mudar o nível de consciência dos sujeitos, após a pesquisa nosso olhar jamais será o mesmo, pois percebemos que a educação é uma via de mão dupla, um eterno vir-a-ser e que precisamos construir mecanismos para ocasionar tais mudanças.
“Ninguém educa ninguém,ninguém educa a si mesmo,os homens se
educam entre si,mediatizados pelo mundo.
Paulo Freire”
A cada movimento pude perceber a importância da participação de todos os envolvidos,a interação entre pais, alunos e professores cria um vínculo de valorização do saber popular onde todos ensinam e todos aprendem. Somos construtores do nosso saber e a qualidade do nosso aprendizado,virá através da pesquisa,da nossa dedicação, dos vínculos que criarmos com a escola parceira e com os sujeitos do entorno.
Ainda aprendemos a fazer mapas conceituais, que é um programa mravilhoso que serviu para desmistificar textos,pra melhorar nossa compreensão e será muito útil ao construirmoso entorno da escola parceira futuramente,é um programa bem completo que dá para colocar imagens e também músicas e links, assim qualificando nossos trabalhos. No início achei um pouco difícil mas consegui dominar e ajudar os colegas em aula presencial a usá-lo.
Em nossa pesquisa do entorno escolhemos 3 famílias com as quais já possuíamos algum vínculo de amizade, foram momentos descontraídos e agradáveis nos quais percebemos o que as famílias julgam importante, como se organizam e como é o relacionamento com a escola parceira. Ambas as famílias mostraram um certo descontentamento com a escola e como limites a falta de lazer,a existência de um único comércio e a distância,mas também falaram que é um bom lugar para viver, calmo, sem violência e bom para criar os filhos.
Quanto a diferença nas falas dos sujeitos entrevistados não observamos m diferença a não ser o sotaque das pessoas que tinham contato com a zona rural do município e uma que também veio da zona rural.
Gostei muito da sociolinguística e poder refletir que a língua escrita é bem diferente da língua falada.A língua falada é materna,vem da família e não tem regras gramaticais,totalmente o oposto da escrita.
As pessoas conseguem se organizar e viver perfeitamente sem a gramática, portanto não podemos julgar nada como “certo ou errado”,pois quem estabeleceu o que é supostamente “certo ou errado” são as classes sociais detentoras do poder.
Conforme o texto: “Preconceito Linguístico” de Marcos Bagno, "o importante hoje é aprender a ler e escrever e não decorar as regras que praticamente estão extintas da língua."
Devemos valorizar as expressões carregadas da cultura e saber dos sujeitos.
“A língua é como um rio que se renova, enquanto que a gramática normativa
é como a água do igapó, que envelhece, não gera vida nova a não ser que
venham as inundações.'
Marcos Bagno
“Ninguém vale pelo que sabe,
mas sim pelo que faz com
aquilo que sabe.”
Leonardo Boff
O Curso de Pedagogia, tem me proporcionado novas experiências,a partir da leitura dos textos,das aulas presenciais que sempre esclarecem os textos e nos dão uma visão mais ampla das atividades propostas, a ajuda dos tutores presenciais e a distância, enfim de toda equipe do CLPD que nos dá assistência e a forma como nosso currículo foi organizado, é maravilhoso, pois está tornando-nos sujeitos pensantes, não tenho que decorar uma matéria pronta,tenho que buscar por mim o entendimento, através das provocações dos tutores e da equipe. Ao ler e participar dos fóruns,percebe-se que aprendemos uns com os outros,que nossa mente amplia-se e que aprendemos a partir dos comentários dos colegas também e eles dos nossos. Então de nada adiantaria sabermos se guardássemos esse saber para nós. O mundo todo é o nosso limite!
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