Testemunho de Cândido Portinari
sobre os camponeses:
"Como deixar de fixar em meus quadros aquilo que fez parte de
minha infância, de minha vida, e a minha esperança de ver uma
vida melhor para os homens que trabalham na terra?"
"Na minha obra só há camponês. Mesmo quando faço outra coisa, sai camponês. Mesmo
uma paisagem, a mais imaginária, é sempre camponês. Sou filho de camponês. Meus pais
sempre foram camponeses pobres. Espanta-lo-ei se disser que não pude tirar mais que a
terceira classe de instrução primária? Só mais tarde é que tive um professor de português
durante seis meses, e é que fiz, lutando com a extrema pobreza, o curso da Escola de Belas
Artes.
Assim, não posso nunca esquecer-me deles. São o meu objetivo. Quando fiz os afrescos do
Ministério da Educação, queriam que eu fizesse a História do Brasil. Tentei. Mas foi
impossível. Não saía nada. Depois de estudos e estudos, nada. Então tive de dizer: a minha
pintura é pintura de camponês; se querem os meus camponeses, bem; se não, chamem
outro pintor..."
In registro do memorial Portanari. Rio de Janeiro.
Reflexão
Ao ler esse texto escrito por Portinari, lembrei da realidade humana, tudo que ele aprendeu foi com sua família, seus pais e era a realidade de um camponês, e quão grande benefício sua obra teve em nosso país, e somente o que ele sabia fazer pelo que dizia era ser camponês.

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